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Romantização exacerbada

Gostaria que as pessoas que pretendem ler este post, o façam após a seguinte atividade: tentem resetar seus conceitos, retirar do pedestal do não questionamento tudo que lá foi colocado com anos de manipulação em nossas vidas. Questionem tudo que lhes é oferecido. Questionem minha opinião acima de tudo, aceito com muita felicidade pessoas que queiram discutir este tema de forma adulta e coerente, com fatos, com estatísticas e acima de tudo com imparcialidade. Poucas são as pessoas que tive a sorte de conhecer que possuiam a capacidade real de pensar e argumentar como se deve. Após removerem o invólucro que envolve estas questões sem respostas, leiam o texto com a mente aberta e pronta para algo que muito provavelmente não irão concordar.

Numa sociedade comandada pela mídia, onde pensamentos, modos de agir e opiniões que deveriam ser originadas das experiências de vida e do intelecto são produzidos em massa por uma pessoa ou pessoas que estão acima do bem e do mal (não estou falando de nenhuma divindade), consigo observar um fenômeno que pouquíssimas pessoas concordam, arriscando-me a entrar para a parcela da população vista como louca ou insensível.

A adoração desmedida e impensada ao sentimento do ser, nada mais pode ser que mais uma das ferramentas das quais As Pessoas (em itálico para diferenciar das pessoas num âmbito geral da palavra) utilizam para manter a população geral dentro do círculo vicioso da sociedade, onde é embutido um sonho a se perseguir, sonho este que só pode ser atingido ao se realizar ou adquirir coisas que as pessoas não necessitam para a sobrevivência. A Luxúria que todo o ser humano tem que não o deixa se saciar com o simples realizar do instinto que por muito tempo guiou nossos ancestrais e à toda volta faz com que a natureza trabalhe como uma unidade única e harmoniosa. Essa Luxúria que é bombardeada todo dia em nossas mentes: uma roupa nova, um carro novo e melhor, etc…fazer com que o ser humano degladie com seus iguais em busca de algo sem nenhum sentido ou utilidade.

É inegável o fato de que uma grande maioria dos itens de entretenimento que temos à nossa disposição, possuem o artifício do romance, ou uma apologia ao sentimento de origem desconhecida, mas que, ao ser aceito e reverenciado, fará com que a pessoa se torne alguém melhor, de atitudes nobres, pois segue a filosofia do sentimento acima de tudo. Onde essa imposição me instiga mais fortemente é no fato de que nunca houve e nunca haverá nenhum questionamento do por quê não sei usar “por que’s” a apóteose ao sentimento será recompensada e de onde e porque os tais “sentimentos” acontecem na vida das pessoas. Sabemos o que eles causam, biologicamente falando, e por quais fatores externos eles são desencadeados, mas infelizmente não há nenhuma explicação da origem. E não me impressiona o fato da origem ser desconhecida, as pessoas não fazem nenhum esforço para tentarem entender esse tipo de coisa, talvez por ser mais fácil culpar o amor por algo além dos limites do conhecimento da mesma forma com que se colocava um deus qualquer por trás da chuva, ou dos relâmpagos no céu.

Mas vamos focar no sentimento mais tradicional, aquele que chamamos de amor e que é tão pregado pela mídia através de seus romances em filmes, livros, séries, novelas e etc. Os romances encenados pelos belíssimos atores são sempre guiados pela busca do amor entre duas pessoas, aparentemente pessoas que se apreciam tanto a ponto de quererem passar sua vida toda juntos, casarem, terem filhos e todos esses contos de fadas que nos ensinam a querer para nossas vidas. Por quê? Porque o amor é algo que se deve lutar para ter? Só o amor verdadeiro salva? Que só se é feliz com aquela única pessoa e que, se você não conhecer esta pessoa, sua vida será triste e solitária? Porque as pessoas são capazes de amar? Todos concordariam sem nem mesmo um único pensamento a respeito, sem ponderar sobre a questão por nem um nanossegundo sequer, tentar analisar de um ponto de vista diferente, menos humano quem sabe.

Inicialmente temos que, em histórias como essas você é inserido no mundo do belo do cinema, pois a adoração à beleza, como sabemos, é mais uma das ferramentas d’As Pessoas para manter as pessoas no ciclo vicioso da sociedade. Dentro desse mundo somos levados a crer que seremos felizes se nos apaixonarmos pela pessoa que, normalmente, é a mais bela do elenco (na opinião geral, o protagonista é escolhido para ser o mais belo, mesmo havendo excessões). No mundo do belo produzido pela indústria do entretenimento não há pessoas normais, pessoas que você vê no seu dia-a-dia. Apenas aquela parcela da população que nos ensinaram a ver como seres superiores em padrões de beleza, padrões esses que também foram desenvolvidos pela própria humanidade. Mesmo que inconscientemente nos ensinam o exclusivismo, onde algo é bom apenas se poucos o possuem, ou seja, se você possui alguém belo.

O por que

O meu por que para essa questão é bem simples e muito pouco aceito. Nos ensinam que você deve se apaixonar para viver feliz, que não há felicidade para quem vive “sozinho”, que se deve ter sentimentos. Poderíamos comparar isso à propagandas de cerveja de antes, que embutiam a felicidade (no caso mulheres) àqueles que consumissem a determinada marca de cerveja. Nos colocam atrás de um sonho, o sonho do amor verdadeiro. Esta vontade embutida em nós é então combinada com as outras necessidades que nos são embutidas, como a valorização do belo, como descrito acima, e acima de tudo no dinheiro. Não forçando-nos a amarmos uma pessoa rica, mas a uma pessoa que esteja apta a sacrificar seu bem estar como “prova de amor”. Você paga jantares para agradar à pessoa, compra roupas novas e mais caras para impressionar o outro, compra um carro melhor, mostra que é uma pessoa apta à sobrevivência na vida da selva de concreto. Mas isso tudo é visto apenas como uma forma de prova de amor, e não como uma forma de fazer com que o indivíduo compre, gaste, adquira, gere lucro para a máquina do capitalismo governada pel’As Pessoas vivendo dentro do ciclo vicioso da sociedade.

A Origem

Acredito até que me provem o contrário de que uma porcentagem bem grande das atitudes humanas sejam influenciadas pelo instinto animal que reside dentro de nós. O ser humano nega a existência do instinto pois não se considera mais um animal, agora possui o poder do raciocínio, não agindo mais por instinto. Mas é fato que, de uma forma ou de outra, sempre pensamos no bem próprio, ou simplesmente pensamos que estamos fazendo bem a alguém mas, na verdade, estamos alimentando o instinto de sobrevivência que age nas sombras do subconsciente manipulando nossa vontade. Exemplificando com um exemplo bem extremo, uma pessoa que é voluntária não o faz porque está ajudando uma outra pessoa em um momento de necessidade sem querer nada em troca, estamos apenas vendo a pessoa suprindo sua necessidade de se sentir bem. Alguns até admitem sem saber: “Me sinto bem fazendo isso”. A voluntário, mesmo ajudando todos ao seu redor, o faz com a intenção de trazer benefícios a si, coisa que as pessoas “normais”, em ocasiões diferentes, chamam de egoísmo. O fato dessa pessoa estar ajudando alguém ao saciar seus próprios instintos poderia ser apenas uma forma de fazê-lo sem que a consciência ou o consciente fosse afetado pelo instinto inconsciente. Quando uma pessoa sacia esse desejo de bem estar sem trazer benefícios a outras pessoas, temos o que a sociedade chama de egoísmo.

Sabemos também que todo ser vivo, por definição, possui em seu instinto a instrução de reproduzir-se e passar suas características a frente. Também é de nosso conhecimento que em muitas espécies de animais os machos disputam o direito de passar seus genes com uma determinada fêmea. Esse ato de “lutar pela fêmea” nada mais é do que a natureza colocando em prática a seleção natural, que diz que deve ser passada à frente as características que farão com que os descendentes possam sobreviver na vida que os espera, no caso, a capacidade de lutar e sobreviver à vida selvagem. A fêmea por sua vez também não é escolhida aleatoriamente: é escolhida a fêmea capaz de produzir os descendentes mais saudáveis e aptos.

Já conseguem ligar os pontos? Pois bem, o farei para vocês. A luta pela fêmea pode ser vista, na sociedade atual, como o ato do ser humano de embelezar-se, de vestir-se bem, de perfumar-se, de dirigir algo caro…resumindo, de ter dinheiro, mesmo que este não seja o motivo principal. Pode-se dizer que a beleza é uma das características que as fêmeas procuram nos machos de nossa espécie, a possibilidade de gerar um descendente também belo dentro de uma sociedade onde a beleza é vista como fator facilitador na aquisição de poder faz com que o instinto faça a fêmea atrair-se para o macho mais belo da mesa ao lado. Também temos outras características menos visadas como a inteligência, o senso de humor, a malandragem do xaveco, fatores que uma pessoa necessita para sobreviver dentro da sociedade humana e que explicam o porque das pessoas se “apaixonarem” por pessoas que não se encaixam nos padrões de beleza. Quanto ao homem, já li teorias de que por muito tempo a mente masculina vinculava a proporção entre os quadris e a cintura com a capacidade da fêmea de reproduzir, nos mostrando a origem da adoração do homem pelas “curvas” femininas. Fatores sociais também estão envolvidos: o prestígio de se “possuir” alguém belo é algo que facilita a sobrevivência do animal humano à “selva”.

Aonde vai o “amor”? Considerando o instinto humano, podemos concluir que o amor nada mais é do que o seu instinto falando a você e ao seu organismo de que aquele será o parceiro que servirá aos propósitos da natureza, que irá gerar os descendentes mais aptos a sobrevivência. O resto é apenas o corpo afetando o corpo, com as reações fisiológicas decorrentes de estar com a pessoa que “ama”. Mas se a origem está no instinto humano, qual o objetivo de todo o começo deste texto? Lembra-se d’As Pessoas que falei anteriormente? Que controlam a mídia e toda a informação que é levada a ser incrustada na mente humana? Pois bem, como pessoas bem instruídas que devem ser, estes apenas conseguiram ver tudo isso e fizeram com que o ser humano o chamasse de sentimento, deram nomes aos sentimentos para que estes se tornassem algo mais palpável ao ser humano, colocando em prática mais uma ferramenta do ciclo de vicioso da vida. Mas isso não necessariamente precisa ser verdade. Podemos também supor que os artistas de todas as épocas utilizaram do desconhecimento humano sobre o instinto como forma de atingir o público e avançar em direção ao sucesso. Por que não? É visível a forma como é eficiente a tentativa de atingir as pessoas onde estas imaginam estar o sentimento, no coração. Romances vendem aos milhares e o fator de romance sempre existe em qualquer história.

Após este breve ensaio que pretendo complementar com o tempo e que pouquíssimas pessoas vão lê-lo como eu gostaria que lessem, vou explicitar aqui de que esta é uma opinião pessoal, mas como podem ver, uma opinião baseada em fatos que tentei expor, de forma a dar base à minha opinião, diferentemente das pessoas “com sentimentos”, que preferem dizer que os sentimentos não devem “ser entendidos, mas apenas sentidos”, talvez com medo de confrontarem a verdade, verdade que diz que o ser humano nada mais é que um animal que tenta negar seu instinto primordial.

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8 Responses to “Romantização exacerbada”


  1. agosto 26, 2010 às 3:49 am

    Opa!

    Cara…eu só pude ler um pouco do seu texto…prometo que vou terminar de ler. Mas tava gostando.
    Era só pra de dar uma resposta sobre você ter se oferecido pra escrever pro Zbreik.

    Eu queria ver um texto seu mais voltado pra jogos, cinema e animação ou HQ…o que você preferir. Pode ser? Pelo pouco que vi, vi que se expressa bem e tal e me interessei.

    Eu não tenho seu e-mail, então o comentário foi a forma de contato que encontrei.

    Me mande o texto por e-mail ou poste link no próprio post lá. Eu prefiro e-mail, pra ser sincero.

    Obrigado e até breve.

  2. agosto 26, 2010 às 3:52 am

    Como vi que os comentários do seu blog tem moderação, aqui vai o meu e-mail:

    leozim.rm@gmail.com

    Abração

  3. 4 Amberson
    setembro 4, 2010 às 5:00 pm

    Oia isso, o texto que no meu blog passado eu tentei escrever mas falhei hard, alocs. Muito bom

    Saudade de tu, nego, tu sumiu /nice
    Oka, mande-me sms de vez em quando, para moi saber que ainda está vivo e que nenhum invasor de corpos te atacou :3

    Logo virei fazer um big mac post-comment, prometo.

    Begos :***

  4. 6 Doutor
    dezembro 29, 2010 às 1:36 pm

    Sutil como um soco no estômago hahaha

    Cara, gostei muito desse post! Principalmente por vc questionar o que, na minha humilde opinião, está virando um dogma moderno. E há muitas razões pra isso: a idéia aristotélica de que a Causa Final do ser humano é ser feliz (idéia retomada na Idade Média em contraposição à resignação católica e, ao que parece, jamais largada desde então) e a “necessidade” de se vender coisas fúteis talvez sejam as maiores, mas deve haver outras também que eu não conseguiria listar agora.
    Enfim, a vida de quem não concorda nunca é fácil, meu caro. Mas continue escrevendo, eu curto seu estilo!

    Um abração!

    Doutor.

  5. 7 Lara
    maio 30, 2015 às 2:07 pm

    ola :)
    passei por aqui porque estou a fazer um trabalho para filosofia e queria fazer um pequena critica ao seu texto
    embora compreenda o seu raciocinio e concorde com ele na maioria do que diz, a verdade e que acrdedito que as pessoas podem mesmo fazer coisas umas pelas outras sem esperar nada em troca. nao estou a dizer que as pessoas o facam por serem “boas pessoas” mas, na minha opiniao, faz sentido que o ser humano, como todas as outras especies animais, tenha o instinto de salvar e ajudar os restantes membros da sua especie, com o objetivo de protecao para continuacao da especie. Assim, os seres humanos nao sao necessariamente egoistas nas suas acoes, nem tem necessariamente que esperar algo em troca. simplesmente sao mandados assim agir pelo seu instinto de protecao da especie

    • dezembro 15, 2015 às 12:58 pm

      Obrigado pela crítica Lara. O texto foi escrito por uma mente imatura conjecturando sobre algo que ouviu por aí na vida e hoje já não concordo com meu próprio texto, hahaha. Agradeço imensamente pela atenção e consideração! :)


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