23
jul
10

Twin – Capítulo 7 – Fuga

Demorou, mas saiu. Peço desculpas sinceras pela demora, mas graças à @yuriranier eu terminei este capítulo. Não está como eu imaginava que seria, até porque está duas vezes maior do que o costume (quase duas mil palavras) e etc. Espero que gostem. Boa leitura

O Prefeito jazia ao chão com um buraco em sua cabeça, semelhante ao do segurança. Não ouviu nenhum tiro em nenhum momento e a pele do Prefeito já estava pálida, aparentemente estava ali deitado a um bom tempo. Não podia entender o que acontecera, o Prefeito foi assassinado por alguém que sabia o que estava fazendo. Cesar saiu do quarto enquanto tirava o celular do bolso. Digitou um atalho e logo foi atendido, era Gabriel do outro lado da linha.

-Problema! O cara ta morto. Alguém chegou aqui antes. Matou o segurança e depois matou o Alvo. Foi bem antes de eu chegar.
-Como assim alguém o assassinou? Sai daí agora! Se fizer algum tempo alguém já deve ter percebido a falta dele – Gabriel sussurrava nervosamente.

Cesar começou a vasculhar o quarto e encontrou o revólver do Prefeito próximo ao pé da cama. Olhou no tambor e faltava uma bala. Os móveis estavam todos no lugar e não havia sinal de luta ou de tiroteio.
-Parece que ele atirou de volta, mas não tem buraco em lugar algum.
-Alguém deve ter tentado armar algo – houve uma ênfase na voz de Gabriel para a palavra tentado.

Ou era alguém muito bom de tiro, mas muito burro, ou faltava uma peça naquilo tudo. Ele ficou apreensivo, vasculhou mais um pouco e achou uma pequena caixa de balas numa gaveta. Não havia motivo para faltar uma bala no tambor. Uma segunda análise e ele encontrou vestígios de pólvora na arma. Houve um tiro, mas não foi dentro do apartamento. Nesse momento uma brisa gelada passou pela sua nuca. Olhou para o lado e viu a janela aberta. Cesar se aproximou para olhar para fora, mas não chegou a fazê-lo. Uma dor imensa explodia em seu braço e logo percorria todo seu corpo, seguida quase imediatamente por um estalido.
Instintivamente ele colocou a mão no braço e se escondeu, sua mão estava embebida em seu sangue quente. Seu braço quase não se movia pela dor que sofria ao tentar fazê-lo. Tirou a mão rapidamente e percebeu que havia um pedaço de seu braço faltando. Arrancou uma faixa de sua camisa e amarrou-a no braço para parar a circulação e diminuir o sangramento. Depois de limpar um pouco do sangue podia ver que havia sido atingido de raspão e o estalido se tratava da bala atingindo o assoalho às suas costas.

Levantou-se e avançou até o corredor, tomando cuidado para aparecer o mínimo possível na janela. O corredor era o mesmo: silencioso, inerte, mas agora seus ouvidos eram inundados pelo seu coração batendo acelerado. Agradeceu por tamanha privacidade, não precisava se preocupar com ninguém chamando mais seguranças. Recolheu o corpo morto do segurança e fechou a porta do quarto, demorou mais do que achava necessário, pois utilizava apenas o braço direito. Adentrou as escadarias de incêndio e fechou a porta, recostando-se nesta. Respirou profundamente, recobrando os sentidos e desacelerando as batidas do coração para diminuir o fluxo de sangue, a dor ficava mais intensa a cada momento. A manga esquerda de sua camisa estava manchada de sangue, assim como sua camisa. Pressionou o ferimento com a mão direita e começou a descer as escadas silenciosamente.
O único som que se ouvia era o do sistema de ventilação que dominava o ambiente acusticamente isolado das escadas de incêndio. Retirou o celular do bolso enquanto descia e discou um número. Gabriel atendeu:

-Onde você está? – perguntou calmamente.
-Nas escadas de incêndio, fui baleado.

-O que?? Como assim? – Sua calma vacilou por um momento.
-Fui até a janela e levei um tiro, provavelmente um atirador de elite.
-Mas que inferno! Encontre-me no estacionamento agora! – Desligou

Cesar já estava saltando os degraus quando por fim chegou ao subsolo do hotel. Abriu a porta silenciosamente e conferiu se não havia ninguém por ali. A maioria dos seguranças devia estar no salão de eventos. Saiu pela porta e pode ouvir o elevador de serviço chegar ao subsolo. Sacou sua arma e ficou próximo à porta. Gabriel se assustou ao sair e ver a arma apontada para sua cabeça, mas logo viu que era Cesar.

-Como está o ferimento? – Apontou para o braço de Cesar.
-Melhor, mas ainda sangrando. – Estava começando a suar frio. A perda de sangue estava deixando-o fraco e o corpo começava a reagir. Gabriel levou Cesar até um canto isolado do estacionamento e retirou um estojo de couro preto de seu bolso, quando abriu pode ver que era um kit de sutura com agulhas esterilizadas e linhas.
-Não vou poder anestesiá-lo – disse enquanto rasgava a manga ensanguentada.
-Eu já fiz isso antes, só feche logo esse maldito buraco e… -Cesar foi interrompido, Gabriel havia começado a limpar o ferimento, quando foi começar a costurar ele entregou um pano para que Cesar o usasse como mordaça. Ele o colocou na boca e Gabriel começou a costurá-lo. Em poucos minutos o sangramento havia parado com um curativo precário.

-Isso só vai segurar o ferimento por umas poucas horas, você precisa de tratamento médico adequado. – Gabriel aparentava calma, mas Cesar sabia que ele estava extremamente agitado por dentro enquanto olhava seu relógio incessantemente.

-E as fitas de segurança? – Ambos começaram a andar em direção ao carro de Gabriel. Gabriel sentou-se ao volante e Cesar foi para o banco de trás.

-Já não há registros para o dia de hoje. – Ele dirigia o carro em direção à saída – Mas isso não interessa, que merda que aconteceu com seu braço?

-Levei um tiro quando fui em direção à janela. – Já na rua, os arredores ainda estavam calmos. Aparentemente não haviam encontrado o corpo do Prefeito – Precisamos reportar a falha da missão e pedir para retirarem meu carro de lá. – Cesar manteve-se em silêncio, fitava o nada. Quando Cesar decidiu falar algo ele retomou – Alguém queria armar para mim, acho que o atirador não era tão bom. Mas o revólver do prefeito estava sem uma bala, o que indica que era para eu estar deitado junto ao prefeito, talvez que eu fosse encontrado abatido no quarto.

-Seria bom você anotar isso quando seu braço estiver melhor, vamos precisar para o relatório e para a seção de contra espionagem – Cesar olhou no relógio mais algumas vezes – O que vai dizer à sua namorada?

Cesar ignorou a piada – Vou dizer que sofri um acidente e que meu carro foi parar no mecânico.

-Só um braço machucado não vai funcionar, ainda mais se ela quiser trocar seus curativos.

-Eu cuido disso. Dê-me seu paletó para que eu possa cobrir meu braço.

Gabriel entregou seu paletó a Cesar e, após alguns minutos, pararam o carro enfrente a uma discreta porta de aço e vidro. Acima da porta havia os dizeres “Escritório de Advocacia” em letras marrons simples numa placa branca. Ambos desceram do carro, havia algumas pessoas passando pela calçada larga e bem cuidada. A rua possuía comércio tradicional de bairro, com pouquíssimo movimento. Gabriel tocou o interfone no número 3. Após alguns segundos veio a resposta:

-Em que posso ajudar? – Era uma voz calma e grave, quase robótica.

-Entrega para Vitorino – Ele olhou para a discreta câmera logo acima dos botões. O interfone permaneceu mudo por alguns segundos e então a porta destravou num estalo eletrônico.

Os dois subiram o lance de escadas branco precariamente limpo. Ao fim da escadaria viraram à direita em um corredor iluminado. Havia quatro portas, duas em casa parede e no final do corredor um grande vidro que dava para a rua. As portas eram de madeira escura, bem cuidada com discretos números colados à altura dos olhos. As portas pareciam ser como qualquer outra se não fosse pelo fato de não possuírem maçaneta. Quando se aproximaram da porta de número três, esta se abriu num clique quase inaudível. Adentraram numa sala rústica. O assoalho era de madeira, levemente mais claro do que a porta. À direita uma parede de cor bege claro com uma estante antiga repleta de livros tão antigos quanto seu armário, mas impecavelmente limpos e bem conservados. À esquerda outra estante, mas nesta, os livros dividiam espaço com pequenos barris de carvalho branco e garrafas de uísque escocês. Ao fundo mais livros e uma porta semelhante à primeira, mas com uma fechadura. No centro um tapete de aparência absurdamente cara e adornada. Sobre ele repousava uma escrivaninha grande e escura de carvalho encarando um par de cadeiras ricamente adornadas de estofamento vermelho com detalhes dourados. Atrás desta escrivaninha havia um homem corpulento de aparência serena. O rosto redondo portava um suntuoso bigode bem penteado, já bem grisalho, assim como os cabelos. Os olhos pequenos atrás dos óculos de lentes redondas e armação dourada davam um ar misteriosamente simpático à figura que escrevia algo que não interessava a ninguém além dele. Levantou os olhos em direção aos dois e muito calmamente largou suas anotações. Vagarosamente se aproximou de ambos e, ajeitando os delicados óculos, perguntou:

-Qual? – era a mesma voz que atendera ao interfone.

-Ele – disse Gabriel – tiro de raspão no braço.
-Deixe-me ver filho – O homem estendeu a mão pequena e gorda em direção a Cesar, que retirou o paletó e mostrou o curativo já com uma mancha vermelha de sangue. O homem aproximou o braço de Cesar delicadamente, fazendo o possível para não haver contato físico. – Tudo bem, vá à sala de trás – disse apontado para a porta ao fundo – e me aguarde. Se quiser pode ir com ele.

Diferentemente do primeiro cômodo, este ambiente era branco com diversos equipamentos médicos espalhados por todos os cantos e uma maca ao centro. As superfícies de aço inox estavam limpas a ponto de fazer uma sala de cirurgia parecer uma choupana abandonada. Cesar recostou-se e em poucos minutos o homem de pouca estatura entrou na sala com a calma de antes. Abriu uma gaveta metálica em um dos armários e retirou alguns materiais, dentre eles um par de luvas de látex e uma máscara cirúrgica. – Pode deitar na maca – disse enquanto preparava um par de seringas e alguns outros materiais. Cesar deitou-se e deixou o ferimento virado para cima. Assim que ele terminou, trouxe a bandeja com suas ferramentas para um apoio próximo à maca. Realizou todos os preparativos profiláticos e retirou cuidadosamente o curativo. – Você está ficando bom nisso Gabriel – disse enquanto limpava o ferimento que voltara a sangrar – da última vez você quase fez Cesar perder uma perna. Nenhum dos dois reagiu.

O homem calmamente realizou o tratamento necessário e o braço de Cesar estava enfaixado de forma mais decente. O homem abaixou a máscara cirúrgica e pediu que Cesar se levantasse.

-Troque o curativo duas vezes ao dia. Sua mobilidade não será sacrificada, mas tente viver como uma pessoa comum no próximo mês. Caso sinta dor, use isto – ele entregou um frasco com um rótulo vermelho e um líquido transparente dentro. Daqui três dias aplique este aqui igual à última vez – entregou um frasco semelhante, mas com rótulo azul. – Agora podem ir.

-Obrigado Dr. Strauss.

-Ivan meus jovens, não exijo formalidades de sua parte – disse ele com um sorriso sincero no rosto – agora vão, não necessitam de conversa desnecessária.

-Obrigado Ivan – disse Cesar, que parou ao dirigir-se à porta – ah sim. Eu preciso de um ferimento no rosto, aparentemente eu sofri um acidente de carro.

-Oh claro, pois não. – Ivan pegou um bisturi limpo de sua bandeja de ferramentas e fez um corte na testa e outro no queixo de Cesar. Logo depois fez um curativo com aparência provisória – Pronto, parece algo que um hospital faria. Agora pode ir para casa.

Novamente me perdoem por qualquer erro técnico com a parte mais envolvida em medicina. Mas sejam razoáveis, eu não sou médico cirurgião para entender dessas coisas D: Obrigado por lerem e pelo apoio. Tentarei ser mais presente =p

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