01
jan
10

Twin – Capítulo 4 – Segunda-Feira

Ela deu um salto da cama quando percebeu que o ruído que a incomodava era o do café da manhã sendo preparado. Abriu o armário e demorou a encontrar suas roupas. Pegou uma toalha e correu para o banheiro quase trombando com ele no meio do corredor.

-Desculpe! – Ela gritou de dentro do banheiro enquanto se despia cambaleando de sono pelo banheiro – Estou atrasada! Preciso me trocar e eu nem sei quanto tempo leva pra ir daqui ao trabalho! Que horas são?
-Era isso que eu ia te falar – disse ele calmamente – São 4 horas da manhã ainda…

Ela vestiu novamente a pouca roupa que conseguira tirar devido à falta de equilíbrio e saiu do banheiro com mais sono do que antes. Depois de esfregar bem os olhos percebeu que ele estava completamente arrumado. Usava um terno preto simples, camisa branca e gravata semelhante ao terno e os sapatos bem engraxados. Os cabelos castanhos estavam ligeiramente penteados para trás, num tipo de social largado. O paletó estava desabotoado assim como os punhos das mangas e os primeiros botões. Apenas a camisa estava no lugar que devia. Ele bebia seu tradicional café com leite frio.

-Vamos! Pra cama! Já! Não se preocupe com sua rota, eu já dei uma olhada na Internet – Ele foi até o quarto e pegou algumas folhas impressas – e coloquei seu despertador pra tocar ontem, é só deitar e dormir. Só espero que você consiga se arrumar em uma hora e meia.
-Você vai ficar me mimando assim até quando? – Ela deu um sorriso sonolento
-Até você se encher de mim e sair da minha casa – Um sorriso e um gole na caneca
-Idiota – um bocejo – Porque você vai trabalhar tão cedo? Aliás, pra estar completamente arrumado que horas que você acordou?
Ele deu uma breve olhada no discreto relógio que usava no pulso – Acho que umas três. Mas isso não acontece todo dia, só umas 2 vezes por semana.
-E o que você faz?
-Faço alguns bicos que ficam no caminho pro trabalho. Pode chamar de hobbie se quiser.
-Você ganha pra isso? Você parece ganhar dinheiro o suficiente…
-Quando me pagam eu aceito numa boa – Ele olhou novamente no relógio – Bem, preciso ir, estou atrasado – terminou seu café – Vou deixar a mesa pronta, não precisa se incomodar em arrumar, só não se atrase pro trabalho. Amanhã dou uma carona a você. A sua chave está na porta, não se preocupe, eu tenho a minha. Chegarei tarde. Fui! – Deu-lhe um beijo na testa, pegou um molho de chaves numa prateleira e a maleta que estava à sua espera na porta e saiu.
-Carona? – Ela pensou consigo – Da última vez que não vimos ele não tinha carro… – mas o sono era mais forte e ela logo adormeceu novamente.

Ela acordou com o despertador e conseguiu arrumar-se no tempo previsto, com um pouco de aperto claro, ele era homem e errou um pouco na hora de calcular o tempo que ela levaria para se arrumar. Pegou o itinerário, olhou o primeiro ônibus e onde iria pegá-lo, colocou na bolsa e saiu. Chegou somente 10 minutos atrasada no trabalho, mas tudo já estava uma loucura. Era assistente direta da Coordenadora de Marketing de uma fabricante de alimentos que não interessa saber qual é.
Haviam pilhas e pilhas de pesquisas de satisfação para serem catalogadas, fotografias para serem analisadas, fotógrafos para serem cobrados, arte aguardando check-up, mas que ela resolvia num passe de mágica como ninguém, o que a colocou naquela posição.
Mal sentou-se e a garota que sentava a sua frente dividindo a bancada entregou-lhe um bilhete.

-Vanessa, sua mãe ligou aqui louca atrás de você. E parecia que ela estava ligando já a um bom tempo, acho melhor você telefonar pra ela – Ela olhou por cima dos óculos de meia armação inferior vermelha com lentes em forma de meia lua. O cabelo era alaranjado e cortado no estilo chanel. Era gordinha e baixinha e usava blusinha e calça jeans simples – O que você aprontou dessa vez? – Quando ouviu aquilo ela ficou visivelmente entristecida e a sua companheira de trabalho decidiu não mais tocar no assunto e só deixou o bilhete acima da divisória das bancadas.
-Obrigada Fêr, mais tarde ligo pra ela. Por enquanto temos que ver essas fotos das embalagens de Chocotone. Ainda não me conformo que temos que fazer esse tipo de coisa no meio de Julho! – ela disse enquanto organizava um monte de fotografias e pastas para poder ligar o computador.
-Nem me fale! Eu começo a suar só de ver as embalagens de sopas prontas em pleno verão. Deus abençoe o inventor do ar condicionado. – ela disse levantando as mãos em direção ao forro.

Naquele momento entram mais 2 mulheres na sala. Uma vestia roupas simples de trabalho, escuras e discretas. Tinha cabelo castanho curto que estava preso num discreto rabo de cavalo, sua pele era morena e lembrava o café com leite que ele costumava tomar a tarde. A outra usava um longo vestido verde menta sem muitos detalhes. Era alta e magra e o vestido salientava sua silhueta, seus cabelos eram longos, ondulados e tinham uma coloração caramelo claro, quase loiro. [pausa]

Por favor, não condenem o autor pelo seu precário conhecimento em vestuário feminino. Às leitoras, estamos abertos a sugestões nos comentários.
Imsorry

[retorno] Ambas falavam freneticamente ao celular. Uma numa discussão com o namorado e a outra com alguma agência de propaganda fora de prazo, como era usual a segunda feira. Após 10 minutos a que usava o vestido conseguiu desligar o celular depois de alguns sermões e um início de gritaria.

-Amanda – disse Vanessa – você precisa se acalmar um pouco, começar a segunda-feira assim não produz muita coisa.
-Ahh, eu sei! Eu sei! Mas esse pessoal de publicidade me deixa uma pilha. Eles tem o dom de atrasar tudo que é possível atrasar! – Ela sentou-se e começou a massagear as laterais da cabeça com os olhos fechados – Não quero tomar remédio logo cedo! Não vou tomar remédio logo cedo! Preciso ser mais forte que eles!
-Você andou lendo mas livros de autoajuda? – perguntou Fernanda
-Não me venha com suas piadas logo cedo Fernanda, se não te mando catalogas aquelas pesquisas de satisfação!
-Já parei! – Ela virou-se para seu computador e começou a mexer em algo.

5 minutos depois a outra mulher que havia entrado e que ainda estava ao celular desligou e jogou o celular sobre a mesa, derrubando um porta lápis. Bufando ela recolheu os lápis e ligou o computador, em silêncio, mas visivelmente estressada.

-De novo esse seu namorado? – perguntou Fernanda
-Desde quando vocês mudaram vocês brigam toda segunda feira Jéssica! – disse Amanda
-Ele não tem a capacidade de arrumar a maldita cama todo dia de manhã e só reclama das tarefas de casa. Eu já disse que não posso contratar uma empregada enquanto ele não arrumar um emprego fixo, mas está difícil! – Ela começou a mexer em algo no computador – Cada semana ele inventa algo novo para se meter e perder dinheiro. O seguro desemprego não é eterno mas parece que ele não entende isso. – Ouvindo isso Vanessa lembrou do seu fim de semana até aquela manhã e não conseguiu deixar escapar um riso.
-É engraçado para você é?? – Jéssica perguntou cerrando os olhos em direção a Vanessa.
-Ah, não é nada – Ela desviou o olhar para o monitor a sua frente que ainda estava na tela de Log-on.
-Ahhh! – Disseram as 3 em unissono. Depois Amanda continuou – Alguém teve um fim de semana em boa companhia!
-Pois é! – disse Fernanda – Acho que já temos um assunto para o almoço. Coloquemos o namorado da Jéssica para o fim da lista!
-Ah ainda bem! – disse Jéssica levantando as mãos como se já estivesse desistindo de lutar.
-Mas vocês são umas fofoqueiras! Eu não preciso dar uma pra ficar de bom humor – ela levantou-se da cadeira gesticulando sua última frase para cada uma na sala – E vamos voltar ao trabalho! Vocês largam tudo na minha mesa esperando que tudo se faça num passe de mágica…<br
-Isso seria legal se acontecesse – interrompeu Fernanda rindo
-…pois bem, vamos dividir isso um pouco sim? Aqui, as fotos são suas Jéssica, você tem um dedo pra isso. Fernanda, você pode dar uma olhada nessas pesquisas de satisfação? – Fernanda respondeu afirmativamente com a cabeça mas continuou olhando para Vanessa, assim como as outras na sala – E Amanda, você bem que podia cobrar esses fotógrafos atrasados. É o que dá contratar terceirizado. Enquanto isso eu dou uma olhada naquelas embalagens novas…
-Opa, perdi meu emprego! – disse Amanda levantando as mãos em rendição.
-O que as pessoas não fazem para mudar o assunto – disse Fernanda alto o suficiente para ser ouvida, mas como se estivesse falando consigo. Jéssica só riu no seu canto.

Ao chegar em casa Vanessa estava exausta e foi tomar um banho. Secou-se e colocou uma camiseta bem larga que ele havia emprestado a ela para dormir, e por baixo uma calcinha confortável. Não estava preocupada em ser vista, ele disse que chegaria tarde. Lembrou-se de que ele não disse nada sobre o Jantar e preferiu não incomoda-lo depois de tudo que fez e ela preferiu pedir comida. Ficou comendo enquanto assistia a televisão com uma coberta sobre as pernas. Acabou distraindo-se com a televisão e ficou acordada até meia noite e meia, quando ele chegou em casa. Estava com uma aparência acabada. A roupa estava amassada e suja. Carregava o paletó na mão esquerda junto ao corpo e a maleta na mão direita.

-Nossa, como você chega tarde. Espero que não seja sempre assim também! – Ela cobriu o corpo com a coberta. Não esperava, nem queria, que ele a visse vestida daquela forma.
-Não se preocupe, estou bem! – Ele disse colocando a maleta do lado do hack.
-Como assim bem? Sua roupa está toda suja!
-Ah, isso? Tivemos que carregar algumas caixas velhas lá na empresa, nada demais. Se me permite vou tomar um banho, a não ser que queira prolongar ainda mais o interrogatório. – ele deu um sorriso cansado – Conseguiu chegar a tempo no trabalho? – ele perguntou enquanto ia em direção ao banheiro.
-Sim, cheguei um pouco atrasada, mas foi culpa de um doido na Marginal. – Ela se levantou e foi até a porta do banheiro.
-Ah, imagino, esses caras não tem limite mesmo. – Ele trancou a porta do banheiro.
-Bem, vou dormir. Boa noite! Amanhã você me acorda? – Ela disse encostada a porta do banheiro.
-Sim, pode deixar. Boa noite, até amanhã! – Ela foi para o quarto e fechou a porta. Quando ele ouviu a fechadura, afastou seu paletó que ainda estava junto ao corpo. Embaixo do paletó havia uma mancha de sangue do tamanho de uma mão. Ele tirou a camisa e no local da mancha havia um curativo rústico tentando inutilmente reter sangue que escorria para a calça. Rapidamente ele retirou o curativo revelando um corte pequeno mas profundo. Abriu o armário abaixo da pia e pegou alguns medicamentos para limpeza de machucados. Limpou a ferida com algumas gases e então pegou uma agulha e linha. Pegou a camisa manchada de sangue, colocou na boca e começou fechar o corte. Alguns poucos pontos foram necessários e logo estaria curado. Depois de finalizar, entrou no chuveiro e tomou uma ducha rápida. Pegou as roupas sujas de sangue e colocou num saco preto. Deixou de canto e foi dormir.

1900 palavras as 7:13 da manhã. Não vou revisar isso nem fodendo, um beijo pra língua portuguesa

/interna

Fica ai 1bego para a @larittacroft e pro @yuriranier

E agora preciso tentar dormir que são 7:15 e não lembro a última vez que vi minha cama

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1 Response to “Twin – Capítulo 4 – Segunda-Feira”


  1. 1 yurir
    janeiro 1, 2010 às 3:11 pm

    COMOASSIM??? D:


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